Postado por Dra.Dianny Em 17 - outubro - 2011 0 Comentario

O linfoma, ou linfossarcoma, é uma doença neoplásica dos linfócitos, um tipo de glóbulo branco que têm origem nos gânglios linfáticos e na medula óssea. As células T cancerosas podem espalhar-se e atingir outros gânglios linfáticos e órgãos.
Existem vários tipos de linfócitos. Alguns são chamados de linfócitos B (células da Bursa de Fabricius) responsáveis pela produção de anticorpos e outros são denominados de linfócitos T (Timo) responsáveis pela sinalização da infecção. Um linfoma das células T tem um pior prognóstico e estão mais vezes associadas a elevados níveis de cálcio no sangue. Atualmente existem testes que nos permitem diferenciar um linfoma das células B do das células T, mas é necessário recolher uma amostra de um gânglio linfático afetado, por cirurgia.
A origem exata do linfoma canino é desconhecida. O que se sabe é que o linfoma pode afetar cães de todas as idades, mas é mais comum em cães com idades compreendidas entre os 5-9 anos. Esta patologia afeta machos e fêmeas na mesma proporção e é uma das neoplasias mais comuns dos cães. Algumas raças encontram-se mais predispostas, tais como, o Boxer, o Golden Retriever e o Scotish Terrier.
Um dos sinais mais comuns do linfoma é o aumento de tamanho dos gânglios linfáticos, que chega a ser, inicialmente, o único sinal perceptível. Outros sinais não específicos incluem a letargia, fraqueza, falta de apetite, perda de peso, diarréia, dificuldades respiratórias, dificuldades na deglutição, aumento da sede e do nº de micções. O fígado, o baço, os rins, os pulmões, o intestino, a medula óssea, o olho, o sistema nervoso central e a pele são alguns dos órgãos que podem ser afetados.
O diagnóstico inicial do linfoma é conseguido mediante citologia aspirativa de um gânglio, ou através de biópsia desse mesmo gânglio. A citologia aspirativa é um processo relativamente indolor em que uma agulha é espetada no gânglio com o objetivo de aspirar algumas células para observação ao microscópio. É um processo rápido e não requer sedação, ou anestesia.
A classificação do estado de maturidade do linfoma é um processo recomendado para todos os pacientes após o diagnóstico ter sido alcançado, permitindo-nos saber se a doença está num estado muito adiantado. Os testes necessários incluem normalmente um hemograma, bioquímica sérica, urinálise, raio x abdominal e torácico, ou ecografia. A aspiração da medula óssea permite-nos saber se o linfoma se espalhou até ela. Este teste está indicado se verificarem anormalidades no hemograma e em casos positivos significa que o linfoma atingiu um estado muito avançado.
O fundamento da terapia para o linfoma consiste numa combinação de vários agentes quimioterapêticos, de acordo com um protocolo predefinido. Existem vários protocolos que são constantemente atualizados. Os cães, de uma maneira geral, reagem melhor à quimioterapia, isto é, com menos efeitos secundários, do que as pessoas. Os cães parecem tolerar melhor a náusea e não desenvolvem o mesmo nível de ansiedade que as pessoas.
A prednisolona pode funcionar como agente quimioterapêutico com remissão dos sinais durante 3 meses, mas ao mesmo tempo leva à seleção de células cancerígenas resistentes a qualquer protocolo terapêutico futuro. Os cães que apresentam hipercalcemia e cães que estão sintomáticos (vômitos, diarréia, anorexia), têm um linfoma das células T, tem menor probabilidade de atingirem a remissão e se atingirem, será por períodos mais breves.
O objetivo do tratamento consiste em remissão dos sinais clínicos e não na cura completa. A remissão é definida como a ausência externa de sinais evidentes de linfoma quer ao exame físico, quer no hemograma. Sem tratamento, os cães sobrevivem em média 4 a 6 semanas; se tratados apenas com prednisolona, poderão sobreviver mais algumas semanas.
Os agentes quimioterapêuticos devem ser administrados sempre no mesmo dia da semana e os pacientes deverão ser hospitalizados nesse dia. Após o término do tratamento de indução semanal, o protocolo é adaptado para intervalos de 3 semanas (protocolo de manutenção) com vincristina. O tratamento é continuado até remissão dos sinais ou até que se atinja 1 ano de tratamento.